Estamos ficando menos inteligentes?

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Com o avanço da tecnologia, ilustrado pelo aumento exorbitante do uso da internet e de novos aplicativos de smartphones, uma nova forma de comunicação e de interação social se estabeleceu, tornando o indivíduo cada vez mais cômodo, preguiçoso e menos inteligente.

Parece paradoxal, uma vez que a internet possibilita uma vastidão de conhecimentos a uma distância de apenas um clique. Mas, é justamente nesse ponto onde o problema pode surgir. Essa geração tem opinião para os mais diversos assuntos, no entanto, fazem de forma rasa e superficial. O excesso de informação predispõe o indivíduo a perder a capacidade de focar em um só tema, tornando a mente caótica e prejudicando as funções cerebrais.

São chamados de “Millennials” ou geração Y, os nascidos a partir dos anos 90. Em sua maioria, consistem em pessoas acomodadas que não saem da zona de conforto, que não se debruçam sobre os livros para estudar. Aqueles com real desejo de aprender, expandir seu conhecimento e cruzar fronteiras para se tornarem realmente bons profissionais são poucos.

De fato, as pesquisas científicas mostraram resultados impressionantes e preocupantes quanto ao declínio do teste de QI (quociente de inteligência). Essa é a primeira geração em que os valores são inferiores ao da geração anterior. Os testes de QI mostram que as pessoas tinham melhorado o desempenho de geração em geração, porém essa curva ascendente entrou em queda nas últimas décadas.

E por que isso está acontecendo?

A resposta seria devido às mudanças no estilo de vida, ou seja, decorrentes da superexposição a mídias sociais e da piora nos padrões de saúde e de nutrição. Décadas de pesquisas tem demostrado que o QI individual prediz com o sucesso educacional e longevidade. E, de forma mais ampla, a pontuação média do QI de um país está ligada ao crescimento econômico e à inovação científica. No Brasil, por exemplo, quase 30% da população é considerada analfabeta funcional, isto é, não consegue ler ou entender um cartaz ou um bilhete.

Não temos mais paciência para textos longos e queremos abreviar os caminhos com dicas e soluções. Nossa mente ansiosa está se tornando desleixada e dependente da tecnologia. Desfocado e sem concentração, o cérebro não consegue aprender e a frase “use-o ou perca-o” entra em vigor.

As mídias sociais foram criadas para permanecermos cada vez mais tempo conectados. Notificações a todo segundo, rolagem de feed infinita, sugestões de vídeos automáticos são alguns exemplos utilizados por essas redes. Diante desses malefícios, por que ainda ficamos vidrados em uma tela, feitos zumbis, permitindo que nos roubem nossa energia? Simplesmente porque a expectativa de uma curtida, de um comentário ativa a rede neural da recompensa. A dopamina, um neurotransmissor de satisfação, é liberada. Você se sente bem, é prazeroso, você tem uma gratificação imediata. Logo, você quer mais. É um vício. É a ativação dos mesmos circuitos de recompensa cerebral que as drogas provocam.

Nós começamos a construir, cada vez mais, um ambiente que induz a estupidez. Quando o individuo é exposto a esse universo desde a infância, as consequências são extremamente danosas. As crianças encontram dificuldades em tarefas que não geram a mesma resposta imediata como a leitura. E nada, absolutamente, nada substitui a leitura como ferramenta de aprendizado. O mais preocupante, no entanto, é o aumento de transtornos como ansiedade generalizada, depressão e suicídio na pré-adolescência e adolescência.

Precisamos ter consciência dos bastidores das mídias sociais. Precisamos rever os nossos hábitos. Precisamos cuidar das nossas crianças. Precisamos retornar para o crescimento ascendente da curva dos índices de QI. Se você chegou até aqui no final do texto, parabéns! Você é um dos poucos. O tempo de leitura na realidade foi de 4 minutos, mas se estivesse no cabeçalho esse valor, você continuaria lendo? Ou não teria tempo para isso?

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